quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Professor tem que falar e entender as diferentes linguagens


"Aproximamo-nos de mais um final de ano. Professores e alunos se preocupam em terminar as últimas atividades, em corrigir as últimas provas e encerrar o ano letivo com a sensação de dever cumprido.
Será que podemos dizer que cumprimos nosso dever sabendo que o Brasil tem a maior proporção de repetência no Ensino Fundamental I de toda a América Latina? Que essa taxa é pior do que a enfrentada nos países como Moçambique e Eritréia, o mais jovem país africano, segundo a Unesco – Organização das Nações Unidas para a Educação a Ciência e a Cultura?
Esta realidade não é muito diferente em relação ao Ensino Médio. Enquanto no Fundamental o índice de reprovação é de 24% no Ensino Médio é de 25% (2001).
O Brasil também ocupa os últimos lugares no Pisa - Programa Internacional de Avaliação de Alunos.
Diante desses dados, torno a perguntar: Podemos dizer que estamos cumprindo com a nossa missão?
— Mas eu faltei somente duas vezes durante todo o ano e cumpri com o currículo. Se eles não aprenderam, não foi por culpa minha. Eles é que não se esforçaram.
Ouço estas frases inúmeras vezes.
Agora pergunto: Será que só isso basta? Será que não podemos fazer um pouco mais do que cumprirmos o currículo e não faltarmos para melhorarmos a Educação no nosso país?
Tenho certeza absoluta que sim.
Sabemos que muitos dos professores estão desanimados e se sentem desestimulados com a enormidade de fatores que incide sobre a nossa profissão. Não vou me reportar a nenhuma delas aqui. Sei que todas as questões são importantes e que compõe o todo, porém temos que ter uma visão altruísta se quisermos modificar esta realidade.
Não há como pensarmos em melhores salários se o resultado da Educação é catastrófico. A realidade é que uma coisa está interligada à outra. Tudo funciona como uma grande engrenagem. Se todos os dentes desta engrenagem estão gastos não há como se recuperar um ou dois, pois não fará a menor diferença.
O que precisa ser feito é justamente a recuperação de todos os dentes desta engrenagem. E isso tem que se dar com a mudança de comportamento diário de cada um de nós.
O Professor, ao entrar na sala de aula, tem que olhar cada aluno como se ele fosse o único. Tem que saber identificar qual a melhor linguagem que Paulinho entende, qual a melhor linguagem do Zezinho e assim por diante, para quando for explicar a matéria poder falar a linguagem de cada um.
Gosto de dar este exemplo: É como se eu preparasse um conteúdo abrangente, altamente qualificado para expor na China e ministrasse a Palestra toda em Português para um público que só fala chinês. Por mais que eu lhes passe o conteúdo, que ilustre com slides, com filmes e tantos outros recursos, se não falar a linguagem deles, não transmitirei o conteúdo e conseqüentemente não propiciarei o aprendizado.
O Professor tem que conhecer a característica de cada aluno e com isso identificar a melhor linguagem para atingi-lo. Como pode o Professor atingir o aluno que entende a linguagem cinestésica ministrando uma aula totalmente voltada para a linguagem oral? Por melhor que o tema seja abordado, somente os que entendem a linguagem oral terão bom entendimento.
É o mesmo caso da Palestra falada em Português ministrada na China.
Esta mudança de comportamento do Professor é realmente simples e só depende da sua boa vontade e do exercitar a sua criatividade. Agindo dessa maneira tornará sua aula muito mais dinâmica, mais interessante e abrangente. Não necessita de nenhum material especial, somente de pré-disposição para abordar, num mesmo tema, as três linguagens: visual, auditiva e cinestésica.
O mesmo critério deverá ser utilizado na correção das provas. É de fundamental importância que o professor, ao corrigir, o faça respeitando as características do aluno. Se somos diferentes como podemos ser tratados de forma igual. Além do mais, a prova não serve de respaldo somente para o aluno avaliar se entendeu bem a matéria, serve também para o professor detectar se ficou alguma lacuna.
A partir do momento que houver estas mudanças de comportamento dos professores, com certeza, a Educação começará a mudar. A realidade da Educação hoje não envolve somente o conteúdo, pois este, o aluno tem à sua disposição a partir de um clic.
O que é realmente importante existir hoje é a conexão entre o conteúdo, o entendimento e a sua aplicabilidade ocorrendo então o aprendizado.
Vamos aproveitar o período de Férias para refletirmos sobre esses aspectos e em Fevereiro, quando retornarmos à sala de aula, iniciarmos o ano com uma nova conduta. Quem sairá ganhando com isso será o próprio professor, que se sentirá motivado a ministrar uma aula dinâmica e participativa, o aluno que passará a se comportar de forma atuante e a Educação que poderá reverter o triste quadro que ora se apresenta."

Texto de Cybele Meyer, advogada, artista plástica, professora, pós-graduada em Psicopedagogia e Docência do Ensino Superior, escritora e palestrante, para o JORNAL VIRTUAL PROFISSÃO MESTRE
Ano 5 Nº 47 – 05/12/2007
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